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Aniversário é lembrado com protesto e pedidos

Quinta, 19 de outubro de 2017, 10h04

DANTIELLE VENTURINI
DA REDAÇÃO

Em uma data que deveria ser de comemoração e alegria, a família de Rodrigo Patrício Lima Claro, que completaria 22 anos ontem (18), realizou um protesto para pedir justiça pela morte do jovem que completará 1 ano em novembro. Rodrigo era aluno de um curso de formação do Corpo de Bombeiros e morreu no dia 15 de novembro de 2016, cinco dias após passar mal durante o curso de salvamento aquático realizado na Lagoa Trevisan, e ter sido internado com um aneurisma.

A tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur de Souza, instrutora do curso na época, foi denunciada pelo Ministério Público do Estado (MPE) pelo crime de tortura. “Rodrigo era um menino exemplar, cheio de sonhos e que queria dar muito orgulho para a família. Um menino de ouro que nos faz muita falta”, diz o avô do jovem, Jair Patrício Lima, 62, ao se recordar do neto, em meio as lágrimas. Eles tinham uma relação muito próxima.

A família escolheu a data do aniversário de Rodrigo para cobrar justiça e cobrar o Corpo de Bombeiros celeridade no caso. Ledur foi denunciada em julho desse ano pelo MPE, que afirmou que a tenente submeteu Rodrigo a “intenso sofrimento físico e mental” durante a realização do curso. “Não estaríamos aqui hoje se a corporação tivesse cumprido com seu papel e realizado o Conselho de Justificação que só vem sendo adiado, se a justiça tivesse sido feita”, lembrou Jair.

Segundo o avô, a família não desistirá de cobrar justiça e o caso não cairá no esquecimento. “Nós somos incansáveis. Nos tiraram nosso menino, destruíram a nossa família, e não vamos ficar calados assistindo a impunidade”. A mãe de Rodrigo, Jane Patrício Lima Claro afirma que após quase um ano da morte do filho, não há um dia em que não lute por justiça. “Hoje estou aqui de coração partido. Gostaria de poder abraçálo, mas a única coisa que posso fazer é chorar e lutar por justiça”.

A família, junto com outras mães e pais que também perderam seus filhos vítimas da violência, se reuniram na tarde de ontem em um protesto organizado com a ajuda da Associação das Famílias Vítimas de Violência (AFVV), na Praça Ipiranga. Na oportunidade Jane leu uma carta que escreveu para o filho e que emocionou quem passava pelo local. “Estava muito próximo o momento da realização de seu sonho (...), quando de repente a estupidez de uma instrutora mudou o rumo de tudo.

Tudo estava programado para ser festa e virou o pior dos pesadelos, que jamais imaginaríamos um dia viver. Meus dias que eram coloridos, perderam a cor, a vida já não tem mais o mesmo sentido”, diz trecho da carta. Ela afirma que desde que recebeu a ligação do celular do filho, com a voz de outra pessoa, nunca mais teve paz. “Aquele momento, aquele choque, eu revivo isso todos os dias.

Parte de mim se foi com ele, só estou de pé porque minha família ainda precisa muito de mim”. Apesar da sensação de injustiça vivida até agora e de não saber o que esperar, Jane afirma que prefere acreditar que a justiça será feita e que nenhuma outra pessoa passará por tudo que seu filho passou. “A gente espera mesmo que algo seja feito, mas se nossa justiça falhar, a de Deus não falha”. O pai de Rodrigo, Antônio Claro, que é bombeiro, não pode participar da manifestação pois não obteve liberação médica.

Ele está afastado da corporação e em tratamento psiquiátrico desde a morte do filho. Após a denúncia do MPE, a justiça determinou que Ledur fosse afastada das atividades do Corpo de Bombeiros e que utilizasse tornozeleira eletrônica, mas na semana passada a 3ª Câmara Criminal de Cuiabá, do Tribunal de Justiça, deferiu parte do pedido de habeas corpus da defesa da tenente e determinou a volta dela ao cargo e a retirada da tornozeleira.

Sobre a decisão a família comentou que foi surpreendida e está decepcionada com a determinação. “Que justiça é essa em que quem paga é a família, que além de perder seu ente querido ainda precisa reunir forças para cobrar as autoridades?”, indagou o avô. Apesar da decisão judicial favorável ao retorno da tenente, ela ainda não voltou ao trabalho e o Conselho de Justificação que deve julgar a capacidade dela de permanecer ou não na corporação, e já vinha sendo adiado em razão de uma série de atestados que foram apresentados pela tenente durante esse ano, foi adiado mais uma vez por mais 60 dias.

De acordo com a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, o retorno da tenente à corporação depende ainda da avaliação de uma junta médica do Estado que também deve liberá-la para responder ao conselho de justificação. A primeira audiência sobre o caso foi marcada pela justiça para o dia 26 de janeiro de 2018. Além de Ledur, outros 5 militares também foram denunciados pelo mesmo crime, entre eles está o tenente-coronel BM Marcelo Reveles, na época comandante do 1º Batalhão.

 
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