Ministério Publico do Estado de Mato Grosso

DPEMT participa de audiência pública sobre desafios de mobilidade das pessoas com deficiência em Cuiabá

terça-feira, 01 de outubro de 2024, 11h03

 

DPEMT participa de audiência pública sobre desafios de mobilidade das pessoas com deficiência em Cuiabá

 

Pegar um ônibus para ir ao supermercado, ao comércio ou ao médico é uma rotina que deveria ser acessível a todos. Mas exercer o direito de ir e vir, garantido na Constituição Federal, não é tarefa simples para pessoas com mobilidade reduzida em Cuiabá. Para refletir e trazer luz sobre o tema, a Câmara de Vereadores de Cuiabá realizou, nesta quarta-feira (02), uma Audiência Pública sobre a situação das pessoas com deficiência e mobilidade urbana na capital. 

Realizada a pedido do vereador Robinson Cireia (PT), a audiência contou com a participação da defensora pública e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher, Rosana Leite, além de representantes do poder público, organizações da sociedade civil e pessoas com deficiência. 

A audiência tinha o objetivo de aprofundar as questões sobre os desafios de mobilidade das pessoas com deficiência e sensibilizar os gestores para o tema, visando a elaboração de políticas públicas pensadas para esse segmento. 

A defensora pública Rosana Leite, que coordena o Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública, chamou a atenção para os enfrentamentos que as mulheres com deficiência sofrem no dia a dia, em especial na busca por acompanhamento médico. 

“As pessoas PCDs possuem impedimentos a longo prazo e que se constituem em barreiras que podem ser diminuídas, oportunizando melhores condições. Levei para a audiência pública, tendo em vista a minha atuação, os inúmeros enfrentamentos que as mulheres sofrem, desde o momento do parto, até outras situações vivenciadas diariamente. Neste particular, as mulheres enfrentam dupla vulnerabilidade. A falta de acessibilidade e mobilidade é histórica para as pessoas PCDs”, explicou a defensora. 

Durante a audiência, foram levantados os desafios do dia a dia, como o Programa Buscar, que é um serviço de transporte de pessoas com deficiência motora, mental e múltipla, temporária ou permanente em alto grau de dependência (pessoa que tenha vínculo a cadeira de rodas para se locomover), a falta de acessibilidade no projeto urbano da cidade e a possibilidade de criação de uma secretaria da pessoa com deficiência. 

“Nosso trabalho é pensar políticas públicas, vamos dar encaminhamento a tudo que foi dito nesta audiência e vamos levar aos órgãos do poder executivo, a quem deve resolver e, se for preciso, buscar a justiça. Quero agradecer muito o apoio da Defensoria Pública. Confesso que nunca convivi tanto com defensor público como agora e vejo a importância desse órgão”, disse o vereador. 

“Ao final, houve a deliberação de encaminhamento para o novo prefeito que será eleito, com a finalidade de o sensibilizar para o tema, e para que políticas públicas sejam pensadas para o segmento”, finalizou Rosana Leite. 

A história dos marcos legais e dos direitos das pessoas com deficiência no Brasil é marcada por avanços e pela mobilização dos movimentos sociais. A Constituição de 1988, pela primeira vez, incorporou as pessoas com deficiência como detentoras de direitos de cidadania e, em 2000, o país aprovou as Leis de Acessibilidade e do Atendimento Prioritário. 

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), Lei 13.146/2015, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, incorporou os princípios da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada em 2006 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e ratificada pelo país em 2008. 

A LBI aborda itens como discriminação, atendimento prioritário, direito à reabilitação e acessibilidade. A Lei estabelece, também, que pessoas com deficiência têm autorização de saque do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) para aquisição de próteses e órteses. 

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Observatório da Industria de Mato Grosso (Fiemt), o Brasil possui 17 milhões de pessoas com deficiência, sendo 186 mil somente em Mato Grosso.

 

Fonte: DPMT


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